terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Olho por Olho... já estamos todos cegos

Ontem, o cinegrafista Santiago Andrade morreu, vitimado por um rojão disparado por manifestante no centro do Rio de Janeiro. Embora os movimentos sociais que organizam as manifestações e a chamada mídia “alternativa” afirmem o contrário, é a primeira morte confirmada e indiscutivelmente relacionada à onda de protestos que acontecem no país desde o ano passado.

Semana passada, grupos de justiceiros executaram um homem em Belford Roxo, e amarraram um menor de idade a um poste na zona sul do Rio. Os dois possuem passagem pela polícia por crimes diversos, e portanto se tornaram alvo de vigilantes que decidiram tomar a função de segurança de um governo ausente para si.

Esses fatos deveriam nos levar à reflexão, sobre o que está acontecendo no país, as causas que levam a esses protestos e atos de violência, e principalmente os meios pelos quais grupos diversos estão expressando suas causas.

Acredito que, no momento em que pessoas morrem, qualquer discurso ideológico, e a defesa de qualquer sistema de ideias, deveria cair por terra e ser substituído pela reflexão e autocrítica. A violência é a antítese da racionalidade, e historicamente foi o instrumento de regimes autoritários de direita e esquerda. A partir do momento em que a violência, seja contra o patrimônio ou indivíduos ou grupos, se torna aceitável para defender suas ideias, automaticamente suas ideias deixam de ter qualquer validade como discurso, e se tornam apenas a causa que você professa como justificativa para impor seus interesses sob os outros, através do cassetete, do tiro ou do rojão.

Interlúdio do historiador militar: rojões foram usados como armas de guerra desde a China antiga, até mais ou menos o começo do século XIX. Os britânicos os usaram contra os revolucionários durante a Guerra de Independência dos EUA, tanto que há referências aos artefatos no hino estadunidense. Eles só caíram em desuso... nunca, na verdade. Continuam sendo usados, mas agora por grupos de caráter violento, como por exemplo, os Black Blocs.

Querer amenizar o uso da violência e seus resultados mencionando uma situação de repressão anterior é o pior tipo de juízo de valor; é dizer que a vida de um repórter de alguma forma equilibra a divida acumulada de anos de repressão da PM aos militantes da esquerda. O mesmo tipo de contabilidade registrada em sangue é querer justificar vigilantismo pela situação de abandono de um estado que não pode, ou não se importa em fornecer segurança aos seus cidadãos.

Da mesma forma, como tem sido o discurso padrão dos militantes de esquerda, começar uma argumentação sobre a morte de uma pessoa citando outras que teriam acontecido é o tipo mais baixo de discurso, querendo justificar uma morte com outra(s). Está no mesmo nível dos revisionistas que dizem que sim, Hitler matou milhões de judeus, mas como Stalin também matou milhões de russos, então ele não podia ser tão ruim assim.

Interlúdio do historiador: em teoria, porque as pessoas que lançam mão desse tipo de argumentação são adversas a apresentar provas desses tantos óbitos, citando a “conspiração midiática”, como se não houvesse testemunhos, registros de boletim de ocorrência, atestados de óbito, e uma assim chamada “mídia alternativa” para expor isso tudo. Vale lembrar, principalmente aos pares historiadores que “abraçaram a causa”, da importância das fontes; como Carl Sagan muito bem disse: “ausência de evidência não é evidência de ausência”.

Vivemos em um sistema democrático que é, bem verdade, frágil, e constantemente solapado, muitas vezes pelos próprios agentes que deveriam zelar pela sua manutenção. Isso fica claro quando as instituições democráticas são usadas na defesa de interesses alheios aqueles que a constituição defende, seja a força de polícia que é usada para coibir manifestações, pacíficas ou não, seja o legislador que propõe uma lei, mal elaborada ou mal-intencionada, que pode cercear as liberdades individuais do cidadão (como por exemplo o Marco Civil da Internet no Brasil, atualmente em processo de votação, e que inclui várias cláusulas abertas ao abuso de indivíduos e instituições).

Porém, essa fragilidade não justifica, nem nunca justificará, partir para a violência. Mas é o que está acontecendo. Estamos vivendo em um momento de extremismos, em que grupos decidiram que vão impor sua visão do mundo através da força. Visões do mundo, diga-se de passagem, baseadas em ideologias que não tem lugar no mundo há décadas. De repente voltamos aos anos 60-70, e acusações de “comunismo” e “imperialismo” são atiradas ao vento.

E o triste é perceber que esses grupos, que existem tão somente em resposta ao descaso de um governo que sistematicamente falha em fornecer o básico ao seu cidadão, se voltam uns contra os outros, ao invés de focarem suas energias em cobrar mudanças do governo. Como reportagem do jornal britânico The Guardian muito bem noticiou, a grande vitória do governo brasileiro é ter lançado “as favelas e a classe média uma contra a outra”, enquanto permanece soberana e, porque não dizer, impune. Livre, para fazer o que quiser e “lucrar” em cima da crise. Pois, cada pedra lançada por um militante, cada ato de violência de um justiceiro, é justificativa para o governo passar legislação cada vez mais restritiva das liberdades individuais, argumentando estar velando pela segurança do cidadão.

Interlúdio do cidadão: Então, já comentei do Marco Civil? Na sua formulação atual, a lei, caso seja aprovada, vai autorizar as provedoras a lotear o acesso à internet em serviços diferenciados, cobrar de maneira diferente para cada um, ou simplesmente não fornecer o serviço (como por exemplo, o acesso à um site que não seja seu parceiro comercial). A lei é de autoria do PT, e conta com o apoio de toda a base governamental. Ironicamente, considerando a retórica dos partidos de esquerda, o único partido a se opor é o PMDB. Você pode ler mais sobre ela aqui.

Portanto, enquanto ainda podemos, deveríamos voltar nossa insatisfação para instituição cuja razão de existir é a nossa satisfação enquanto cidadãos. Cobrar do governo as mudanças, através do processo democrático, do qual fazem parte os protestos nas ruas, mas não a violência. Pois, no momento em que dela fazemos uso, justificamos que sejamos ignorados pelos poderes estabelecidos, que, irônica e maldosamente, irão usar nossa Constituição contra nós.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sacolinhas Plásticas

AS NOVAS TENDÊNCIAS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL



Sacolas Plásticas.... Sim, tendências, pois nada é mais fashion e vende mais dos que as "u-huu" eco-bags!

De início, quando pensamos nas sacolinhas plásticas nada muito grave nos é remetido. São úteis em vários sentidos: usamos nas feiras, mercados, quando fazemos compras em lojas etc. Mas。。。。o que você faria se elas não estivessem mais lá?

Pois é, parece que hoje em dia a "febre" do desenvolvimento sustentável e das prevenções e proteções ao meio ambiente se tornaram quase que políticas acéfalas entorno de questões tão mais simples. Não digo que não são importantes, claro que são! 

Com a população mundial sempre crescente e com os níveis de consumismo nas alturas, nada mais correto - e tardio - do que nos preocuparmos com o futuro do nosso planeta e de como vamos deixá-lo para as gerações futuras. Minha mãe era bióloga e como conversávamos a respeito de tudo isso, que para mim hoje, não é novidade.

Agora, sinceramente acho essa política contra as sacolinhas plásticas a coisa mais IDIOTA (em alto e bom som) que já vi e li. Se pararmos para procurar nos jornais e internet sobre os motivos que levaram nossos queridos deputados, políticos (e toda essa gentinha) a considerar a sacola plástica o inimigo número 1 do meio ambiente, não encontraremos nada além de justificativas no estilo:

"O nível de consumo em mercados é proporcional ao de sacolinhas plásticas jogadas na natureza"

"As sacolas plásticas são compostas de c+b+m e demoram x anos para se decompor"

"As sacolas plásticas são as responsáveis por entupimentos de bueiros e causam alagamentos e enchentes nas cidades"

Olha, sério, alguém deve estar achando que somos burros. 

Sabemos que NÃO SÃO SOMENTE AS SACOLAS PLÁSTICAS as responsáveis pela poluição nas cidades. DIGO MAIS: Todas as sacolas plásticas, de supermercados por exemplo, são reutilizadas em domicílio por quase que todos nós como sacolas para lixo - isso significa que VÃO PARA O LIXO, onde, TEORICAMENTE DEVERIAM PASSAR POR UM PROCESSO DE COLETA PARA SUA RE-CI-CLA-GEM.  ---- 

Agora, muito legal, não tendo mais as sacolas de mercados teremos que COMPRAR sacolas plásticas para usarmos no lixo doméstico : ALÔOOOO ?!!?


Opa! R-E-C-I-C-L-A-G-E-M - você já parou para pensar nos "níveis" de reciclagem existentes!? 

Entendo que, quando você reutiliza alguma coisa, para outros fins, está de certa forma promovendo uma reciclagem à este objeto, o reutiliza de outra maneira. E quando não dá mais para fazer uma reutilização, este objeto - sejam garrafas de vidro, garrafas pets, caixas de papelão, latinhas de alumínio etc - DEVERIA ir para centros de reciclagem e coleta especializados para torná-lo ÚTIL NOVAMENTE.

Funcionou muito bem com as latinhas de alumínio. E pra quem não sabe, a chapinha da latinha é o item mais valioso do conjunto, pois é alumínio puro, sem tinta e vale mais.

Acabar com as sacolinhas plásticas é uma política de peneira que contorna os mais desinformados e tenta fazer bonito para quem quer que seja, papai do céu, bicho papão, curupira, sei lá! Ok, eu tenho algumas sacolinhas retornáveis, reutilizáveis ou qualquer "veis" que preferirem. Mas não acho que isso deveria ser uma PROIBIÇÃO. Não tenho nada contra quem usa eco-bags, eu utilizo quando faço comprinhas aqui em casa. Mas quando a SACOLA PRO LIXO ESTÁ ACABANDO, lá vou eu usar as de plástico mesmo.

Leia aqui, uma reportagem EXCELENTE sobre a questão das sacolas: as alternativas oferecidas são muito mais poluentes e de difícil reutilização do que as próprias sacolinhas. A BBC publicou várias informações de valor sobre o tema.

E eu, particularmente sempre achei lindo usar sacolas de papel como são usadas na Europa, com a ilusão de que seriam melhores. Taí, pela BBC:

Se uma sacola de plástico for usada apenas uma vez, por exemplo, sua equivalente de papel tem de ser usada ao menos três vezes para compensar a quantidade maior de carbono usada na produção e transporte.
Já uma sacola plástica reutilizável tem de ser reutilizada ao menos quatro vezes - e uma de tecido 131 vezes - para compensar seu impacto ambiental em relação a uma sacola plástica descartável.



Isso porque hoje, quase todas estão sendo fabricadas de forma com que não demorem tanto a se decompor. As famosas Oxi-Biodegradáveis!!!!!!!!!






NÃO ADIANTA ACABAR COM SACOLINHAS. O QUE DEVE HAVER É A EDUCAÇÃO SOCIAL ENTORNO DO LIXO E DE MATERIAIS RECICLÁVEIS.


O QUE DEVE HAVER É UM SISTEMA DE SEPARAÇÃO E COLETA DE TAIS MATERIAIS E-FI-CI-EN-TE!

 

Minha Experiência: 

No meu prédio, (coisa rara no Rio de Janeiro) temos que separar as latinhas dos vidros, o papelão das caixas e embalagens. Lavo tudo e separo bonitinho. Os porteiros e faxineiros separam em grandes sacolas plásticas transparentes os vidros, dos papéis, dos alumínios etc. Normalmente, a empresa responsável faz a coleta.. MAS...

Um belo dia a Comlurb passou, pegou tudo e esmagou indiscriminadamente junto com aquele bololô de tudo.

PARABÉNS PREFEITURA!!!!!!

É TRABALHANDO COM A IGNORÂNCIA E A INGENUIDADE DO POVO QUE SE CONSEGUEM APROVAR POLÍTICAS INÚTEIS E FINGIR ESTAR FAZENDO BONITO.

Muito Bem!

domingo, 4 de março de 2012

Depois de preconceito em dicionário, só falta racismo em lista telefônica



Na última semana, passando os olhos por um conceituado portal de noticias (entenda como você quiser) uma notícia interessante chamou minha atenção naquele mar bravio dominado pelo importante comentário esportivo e as últimas da nave BBB.

O Ministério Público Federal está processando a Editora Objetiva porque, a última edição do seu conceituado (agora pra valer) dicionário traz, como uma das definições para "cigano", "aquele que trapaceia", "velhaco" e coisas do gênero. Você pode ler a noticia aqui.

Antes de tudo, o aviso inevitável e que seguramente vai ser ignorado pelos possíveis criadores de caso: nada tenho contra o povo cigano e sua cultura. Pelo contrário, acho um grupo fascinante e que, como outros povos que, por destoar do que a sociedade considera como "certo e normal", foi perseguido e sofre, até hoje, com o preconceito.

Dados os avisos de praxe, vamos lá: QUE P&**% É ESSA? PRECONCEITO EM DICIONÁRIO?

Um dicionário não CRIA definições, Sr. Ministério Público. Ele tão somente colheta significados das palavras de um idioma ou outra área de conhecimento (como um dicionário de conceitos históricos). Dizer que um dicionário está perpetuando noções preconceituosas é inverter causa e efeito.

Posso dar meu testemunho pessoal: durante alguns anos vivi em uma cidade do interior do estado, aonde era (e ainda é) corrente associar a figura do cigano com vagabundos e trapaceiros. Um das expressões que eu mais ouvia por lá era que "x de cigano", onde x é um objeto qualquer vendido por um suposto cigano, e que era tão vagabundo que só durava o tempo do dito cujo receber o dinheiro e sumir.

As pessoas que diziam isso com certeza não foram influenciadas por um dicionário. Inclusive tenho certeza de que algumas delas nunca abriram um dicionário na vida.

Tudo que os responsáveis pela elaboração de um dicionário fazem é coletar esses usos da palavra e listá-los como verbetes. Aliás, o que se espera de um bom dicionário é exatamente enumerar o maior número possível de significados.

Em tempo: tomei a liberdade de consultar três dicionários de editoras diferentes, sendo um deles o Minidicionário da Língua Portuguesa, do professor e acadêmico Evanildo Bechara. TODOS eles listam o significado "pejorativo" no verbete cigano. Fica a dica para o MP: tirar TODOS os dicionários da língua portuguesa de circulação.

Essa ação do MP (movida por um cidadão de origem cigana, que está no direito dele), é só mais um sintoma da onda do estupidamente correto que nos assola à anos. Digo estupidamente correto, porque esse tipo de ação não faz absolutamente NADA para combater o racismo e outros preconceitos.

Apagar qualquer evidência de que exista preconceito NÃO é o mesmo que acabar com mesmo. Assim como processar cada bastardo que disse algo preconceituoso não vai tornar essa pessoa mais tolerante. O mais provável é que tenha o efeito contrário: o cretino ainda vai poder culpar o alvo do seu preconceito pelas sanções legais que sofrer.

A única e real forma de combater o preconceito é, em primeiro lugar, aceitar que ele existe (e não tentar varrê-lo para debaixo do tapete), seguido de ações de esclarecimento: fomentar a troca de ideias e o entendimento entre os diferentes grupos, etnias, etc, etc. Ao entender o outro, você deixa de ter medo do que ele representa, e passa a compreender um modo de vida diferente do seu. Seus horizontes se ampliam, e você dá o primeiro passo em um mundo maior, como diria Obi-Wan.

Preconceito surge da ignorância, e censurar dicionários não é uma boa forma de combater a ignorância, Sr. Ministério Público.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pois é, já era hora de começarmos a bater mais na tecla "educação".



Como bem dito hoje no Bom Dia Brasil, na Globo, Alexandre Garcia comentou que este piso é RIDÍCULO e que grandes países só são o que são pelo investimento na educação. BOBO É O QUE NÃO QUER VER.

AS PREFEITURAS NÃO PODEM PAGAR? SANTO DEUS, tira do dinheiro do prefeito, dos camarotes do carnaval, dessa m*&@#¨$ toda por aí. NÃO ME VENHAM COM ESSA....

MERCADANTE POR FAVOR, NÃO CEDA. Hoje no jornal ele disse: TEMOS QUE VALORIZAR A PROFISSÃO, OS JOVENS NÃO QUEREM MAIS SAIR PROFESSORES DAS UNIVERSIDADES!

PORQUE SERÁ!?

http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2012/02/piso-salarial-de-professores-vai-custar-r-7-bilhoes-municipios-diz-entidade.html

Com conhecimento de causa (parcial, eu diria) estamos vivendo uma crise cultural. E, para variar, como todos nós sabemos, ela começa da escola. Variando de instituição para instituição, não vou aqui me ater às escolas particulares que obviamente possuem mais recursos e dinâmicas para promover um ensino de qualidade - ou pelo menos, superior ao das escolas públicas - mas a educação pede socorro há muito tempo.



Acontece que, atualmente ir à escola é uma tarefa muito chata. Os padrões educacionais brasileiros são péssimos, as propostas educacionais piores ainda. Nossa filosofia educacional é ultrapassada, pasmem: utilizávamos modelos "vencidos" de outros países para elaborarmos nossos próprios parâmetros curriculares. É de se espantar? Na verdade não. Ficar ali sentado, durante quase oito horas é um martírio inexplicável. Já era quando eu frequentava a escola, quando a tecnologia não era assim tão avançada. E olha que estudei em escola particular, com lousas eletrônicas, laboratórios diversos e passeios culturais. Mas ainda tinha uma aula ou outra em que eu acordava e pensava: "OBA!"



Acho que hoje em dia, essa realidade é quase nula.



A formação de professores é medíocre, onde poucas instituições acolhem estes profissionais que pretendem se especializar para oferecer o que tem de melhor. As que oferecem nem sempre trazem novidade e continuam reafirmando discursos ultrapassados e sem propósito. Mas quando muito, como algumas universidades públicas do país, quando conseguimos nos especializar em educação e compreender a função que temos como educadores, encontramos um outro problema: a falta de reconhecimento, a desvalorização.

Sim, claro. Ou será que nossos políticos pesam que professores não têm que comer? Não têm que comprar roupas, pagar educação para os filhos (pois o sistema público é uma vergonha), pagar cursos, propor tarefas divertidas etc etc etc. Tudo o que uma criança e uma família precisa, a dos professores precisam também.



Ou será que é fácil para estes profissionais ter que trabalhar em 2, 3 ou mais instituições para conseguir O MÍNIMO de conforto? Hoje em dia, me desculpem mas R$ 2.000,00 não e mais nada.
E não quero desvalorizar nenhuma outra profissão. Mas um técnico, com ensino médio, formado pelo Senac, pode ganhar mais de R$3.000,00 por mês. E os professores que tem que se formar, defender teses, elaborar projetos e se especializar, lutam por um piso de R$ 1,400 e merrecas.

Claro. Professor quer viajar, professor quer passear, quer poder levar seus filhos para conhecer lugares. Mas tudo bem, não fiquemos só nas belezas; professor quer COMER, poder pagar uma MORADIA digna. Infelizmente, com os preços inflacionando, com a especulação imobiliária isso passa a ser cada vez mais impossível. Com este salário, impossível. Sem contar que, além da falta disso tudo é relatório educacional, proposta pedagógica, elaboração de prova, correção de deveres, planejamento de aula, corre pra lá corre pra cá.

Olha, é por essas e por outras que quase TODOS que se formaram comigo, escolheram outro caminho. Uma PENA para o governo, pois éramos sonhadores de uma educação exemplar. Na verdade, agora, somos meros intelectuais desiludidos.